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SIMPÓSIO 3

Desinformação e política: disputas de sentido, controle de narrativas e estratégias de poder no Brasil contemporâneo

Coordenação:

Allyson Mendes Rosa (PUC Minas)

Leandro de Paula Santos (PUC Minas)

Jane Quintiliano Guimarães Silva (PUC Minas)

Este simpósio temático propõe analisar criticamente os modos pelos quais a desinformação opera como estratégia discursiva no campo político brasileiro contemporâneo. Em um contexto marcado pela intensificação da polarização e pela centralidade das plataformas digitais na circulação de sentidos, observa-se a consolidação de narrativas enganosas que atuam por meio da omissão seletiva de fatos, da distorção de informações e da produção de consensos artificiais, configurando riscos diretos ao funcionamento democrático. Parte-se do pressuposto de que as tecnologias digitais transformaram profundamente os regimes de produção, circulação e legitimação dos discursos políticos. Nesse cenário, parlamentares e lideranças vinculadas a projetos conservadores e autoritários têm se apropriado de redes sociais, podcasts, espaços religiosos e meios de comunicação alternativos para difundir narrativas falsas, discursos de ódio e representações estigmatizantes, especialmente dirigidas a grupos historicamente marginalizados, como mulheres, pessoas negras, populações LGBTQIA+ e sujeitos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Tais discursos não apenas desinformam, mas produzem efeitos de exclusão simbólica, naturalização das desigualdades e legitimação da violência. Com base em Brugger (2007), compreende-se o discurso de ódio como aquele que insulta, intimida ou incita discriminação e violência contra indivíduos ou grupos definidos por marcadores sociais como raça, gênero, religião ou nacionalidade. O simpósio ancora-se nos aportes da Análise do Discurso de orientação francesa, especialmente em Michel Pêcheux (1969, 1990), para quem o discurso é efeito de sentido entre interlocutores e lugar de articulação entre língua e ideologia. Dialoga-se também com Orlandi (2010, 2012) e Dias (2004, 2012, 2018), cujas contribuições permitem compreender os processos de significação na esfera política, social e digital. Busca-se compreender como a desinformação, articulada a discursos religiosos e conservadores, tem sido mobilizada como ferramenta de controle simbólico, manipulação da opinião pública e manutenção de projetos de poder, potencializada por bolhas informacionais e pela lógica algorítmica das plataformas digitais. Interessa analisar como tais narrativas produzem regimes de verdade excludentes, reforçam estigmas e aprofundam clivagens sociais. Serão acolhidos trabalhos cujos diálogos privilegiem os seguintes eixos temáticos: i) desinformação, discurso político e regimes de verdade; ii) discursos de ódio, violência simbólica e exclusão social; iii) religião, conservadorismo e manipulação discursiva


Palavras-chave: conservadorismo; desinformação; discurso político; extrema-direita; manipulação.

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